Sobre quando eu descobri o Cinema

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“Por isso, a vida artística implica liberdade; é preciso tempo para que as coisas interessantes possam acontecer. Nem sempre há muito tempo para as outras coisas.” David Lynch, no livro Águas Profundas.

Descobri o cinema nos idos de 1996, aos 9 anos, quando em um momento de ócio infantil qualquer, troquei uma sessão da tarde, ali à mão, pela prateleira onde meu pai guardava suas infinitas coleções de VHs empoeirados. Me lembro que um em especial me chamou a atenção, mais por alguma imagem estampada no encarte do que pela classificação indicativa proibida para a minha idade.

O filme em questão era Beleza Roubada, de Bernardo Bertolucci, até hoje um dos meus diretores favoritos no quesito sutileza. Com Liv Tyler no papel principal, de uma jovem saindo da adolescência, em busca da sexualidade, a história se passa em belíssimas paisagens italianas. À época, não abstraí muita coisa do enredo em si, era um pouco confuso para a minha cabeça de 9 anos. Mas a experiência sensorial me despertou para a verdadeira apreciação do cinema. As imagens de Liv na banheira, lambendo o espelho, sua inocência e sensualidade, a luminosidade das cenas, a música, isso tudo ficou nitidamente gravado na minha memória. E é bem possível que minha mãe só descubra isso agora, mas passei tardes e tardes revivendo essa experiência “proibida”.

E o que seria o papel mais importante do cinema em nossas vidas, senão o da contemplação pura e simples?

*E por falar em Bertolucci, Eu e Você, novo filme do diretor, está em cartaz nos cinemas e versa sobre um de seus assuntos preferidos: a juventude, suas relações complexas e as possibilidades de descoberta que isso traz (assim como em Os Sonhadores, lindo lindo).

(escrito em janeiro de 2014)

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