A beleza sofrida de Alabama Monroe

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Antes de qualquer coisa, tomo muito cuidado ao categorizar filmes, pois acho que a experiência sensorial de cada um vai além de um cartaz ou crítica escrito “drama”, o que muitas vezes pode até afastar o espectador desavisado.

O fato é que “Alabama Monroe”, filme belga indicado a melhor estrangeiro no Oscar, é de uma beleza ímpar, porém sofrida. Didier (Johan Heldenbergh) toca banjo em uma banda e Elise (Veerle Baetens) é tatuadora. Juntos, formam um casal simplão, que leva uma vida rústica e intensa. Sem planejar, engravidam e, ao completar 6 anos, sua filha é diagnosticada com um câncer. Como pano de fundo da trama, que acompanha os altos e baixos do casal e as crises decorrentes da doença da filha, a trilha sonora é peça fundamental. Embalado pelo bluegrass, que transita entre o country e o folk, o filme ganha ares de musical. A língua falada é exótica e charmosa, o flamengo. O casal de protagonistas exala um carisma um pouco áspero, até mesmo rude, mas não menos verdadeiro. Didier, em especial, é uma espécie de ogro fofo, um cara grandão que inspira carinho e cuidado. Ao longo dos anos, o casal se depara com uma dor incurável, que desperta sentimentos baixos, conflitos ideológicos e coloca o relacionamento em cheque.

Entre uma e outra tomada musical, escorrem umas lágrimas e fica um after taste reflexivo em torno das nuances de uma vida compartilhada. E para os amantes de dramões do cinema como eu, a certeza de que nem tudo são flores e que as histórias não precisam ter finais felizes para nos emocionar. Umas gotas de melancolia na alma às vezes caem bem.

Ps: se você estiver nesse clima, indico alguns outros filmes com características semelhantes.

Ela“, novo do Spike Jonze, Namorados para sempre, com Michelle Williams e Ryan Gosling e “O lugar onde tudo termina“, com Eva Mendes e de novo, Ryan Gosling.

(escrito em fevereiro de 2014)

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