Azul é a cor mais quente.. mesmo!

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Engana-se quem pensa que “Azul é a cor mais quente” (título original: La vie d’Adele, França) é apenas um filme de amor lésbico. O longa do diretor Abdellatif Kechiche, vencedor da Palma de Ouro em Cannes este ano é, sobretudo, sobre a fome, no sentido mais amplo da palavra.

Com apenas 20 anos, Adèle Exarchopoulos vive a protagonista de mesmo nome, uma jovem perdida e melancólica, um pouco retraída, que tenta sobreviver a uma vidinha adolescente meio mais ou menos quando seu caminho se cruza com o de Emma (Léa Seydoux), mais velha e experiente. Desde o início, a atriz é pura entrega e sensualidade. Seu olhar perdido, o cabelo altamente despenteado e até o fato de comer levemente de boca aberta revelam uma inocência que em nada se parece com fragilidade.

Desde o momento em que se lambuza com uma deliciosa macarronada (que aparece diversas vezes) até as tão faladas cenas de sexo, ela passa por momentos de angústia, raiva e apatia, todos vividos com igual intensidade. Kechiche abusa de um jogo de câmeras muito interessante, que foca nos detalhes e produz cenas longas, capazes de transmitir todos os sentimentos em estado bruto.

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E haja sentimentos. É um filme sobre descoberta, paixão, coragem e uma busca indefinida e essencialmente solitária do ser humano.

De fato, as cenas de sexo são impressionantes, longas, cheias de ruídos e orifícios, do tipo que podem fazer o espectador desavisado se contorcer na cadeira. Mas tudo feito com uma sintonia absurda entre as atrizes e o resultado é de uma beleza desconcertante.

Na pré-estreia, que aconteceu na última sexta (29/11) em São Paulo, o diretor e as atrizes falaram muito sobre amor, tolerância e beleza. Palavras-chave para a compreensão dessa obra prima do cinema.

Não é apenas um filmaço, é toda uma experiência.

Estreia amanhã. Vai lá!

*Este post foi escrito em colaboração para a Inspiration Page

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