A melancolia animada de Feist

Se há um elo de comunhão entre os ídolos da música indie com seus públicos é uma certa melancolia. No caso da canadense Feist, ela vem com um toque de cor. Pelo menos foi isso que ela mostrou em suas apresentações no Cine Joia, em São Paulo, na segunda (22) e terça (23). Diferente de suas companheiras de geração e categoria, como Cat Power e Fiona Apple (em comum, existe também o fato de que ambas lançaram novos trabalhos este ano), Leslie Feist contrasta sua voz doce e estatura mignon com batidas enérgicas no violão e na guitarra, que executa com precisão. Para os saudosos de um show que não aconteceu no Tim Festival em 2007 (a apresentação foi cancelada por motivos de saúde e substituída por Cat Power), a espera valeu a pena.

Casa lotada e som impecável no Cine Joia garantiram um show redondo, sem pecados nem excessos. No repertório, a maioria das canções do novo disco Metals, lançado em 2012, já ecoava em coro na plateia, além de sucessos como “My moon my man”e “I feel it all”. Temas rudes como a morte de “Graveyard” parecem suaves na voz aveludada de Feist, que andando de um lado pro outro do palco estimula a plateia o tempo todo. Conversou com o público, elogiou a capacidade dos latinoamericanos de bater palmas e falou até em se mudar para o Brasil.

Destaque para o trio de meninas do Mountain man, que a acompanha nos vocais. As meninas parecem bruxinhas boas, com canto de sereia e danças folclóricas desajeitadas.

Apesar de não ceder aos pedidos incansáveis do hit “1234”, que faz parte de um momento anterior de sua carreira, como a própria disse em várias entrevistas, o público saiu bastante satisfeito. E mais do que uma noite de consagração para os moderninhos, Feist consagrou-se ela própria, presença etérea, com sua melancolia fina e animada.

Foi lindo.

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